Como fazer e gerir bem um Orçamento Familiar

Escrito por Cláudia Oliveira

23.08.21

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7 min de leitura
Orçamento Familiar

Ter um orçamento familiar é muito importante para a saúde das suas finanças. Para além de lhe permitir controlar onde gasta o dinheiro, também permite planear o futuro com maior segurança.

Não é novidade que o orçamento familiar é uma peça chave na gestão financeira das famílias. Se fizer uma breve pesquisa por dicas de poupança, certamente que encontrará o orçamento familiar como um dos principais conselhos. A verdade é que perceber para onde vai o dinheiro é fundamental para manter a saúde das finanças e nunca é demais relembrar isso. Para além disso, se tiver uma boa gestão do seu orçamento, pode e deve aproveitar para criar um fundo de emergência, uma poupança e até investir. Por isso, se ainda não fez o seu orçamento familiar, ou se sente que a sua gestão não é a melhor, este artigo vai ser uma boa ajuda.

Para que serve o Orçamento Familiar?

O orçamento familiar é uma das tarefas mais descuradas pelas famílias porque exige algum esforço e acompanhamento. Contudo, basta experimentar ter um orçamento um mês para perceber a utilidade prática e a diferença que pode fazer na sua vida. Através do orçamento familiar consegue:

  • Registar o dinheiro que entra. Ou seja, controlar os rendimentos da família;
  • Controlar o dinheiro que sai. Ou seja, registar todas as despesas e saber exatamente onde está a ser gasto o dinheiro; 
  • Identificar possibilidades de poupança;
  • Criar um fundo de emergência;
  • Tomar algumas decisões informadas sobre onde colocar ou investir o dinheiro.

Para além destas utilidades práticas, o orçamento familiar também lhe permite viver com um sentimento de segurança e confiança, o que é algo muito importante para a sua vida pessoal e familiar. Ainda são muitas as famílias que não têm qualquer controlo sobre o que entra (rendimentos) e o que sai (despesas), o que acaba por criar situações de grande stress familiar.

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Como fazer o Orçamento Familiar

1) Escolha onde fazer o orçamento

Antes de começar o orçamento familiar precisa de decidir como e onde o vai fazer. O Excel é sem dúvida uma das ferramentas mais utilizadas para esse efeito. Para além de ser fácil de utilizar, é totalmente personalizável. No nosso eBook gratuito com 110 Dicas de Poupança encontra um modelo de Excel de controlo de gastos pessoais, que pode adaptar e utilizar para fazer um orçamento familiar.

Também já existem várias aplicações móveis de gestão de finanças pessoais que podem ser uma boa ajuda, especialmente para registar as despesas. O importante é escolher o melhor método para si, optando por algo que sabe que vai usar e que não terá dificuldades em gerir.

2) Registe todos os rendimentos

O segundo passo é anotar os rendimentos de todos os membros da família. O ideal será dividir o rendimento desta forma:

  • Rendimento fixo: inclui-se aqui os valores garantidos e que não oscilam, como é o caso dos salários, reformas ou rendas;
  • Rendimento variável: refere-se a outras fontes de rendimento que podem oscilar, como é o caso dos investimentos, trabalhos extra ou vendas.

Importa referir que, no caso do salário, deve anotar sempre o valor líquido (aquele que de facto recebe na sua conta no final do mês).

Registar os rendimentos é algo relativamente simples de fazer, especialmente se só tiver rendimentos fixos. Depois de ter registado tudo, some o valor total para conhecer o rendimento mensal.

3) Identifique e agrupe todas as despesas

O terceiro passo, e o mais demorado, é anotar todas as despesas. Tal como nos rendimentos, também aconselhamos que agrupe as despesas por fixas e variáveis:

  • Despesas fixas: rendas, prestações de créditos, seguros, propinas, mensalidade do ginásio, subscrições, entre outras;
  • Despesas variáveis: bens alimentares, combustível, luz, água, roupa, entre outras.

Esta tarefa pode ser um pouco mais demorada, mas é importante que anote toda e qualquer despesa. Perca algum tempo a pensar em todos os gastos e crie categorias para ajudar, por exemplo: habitação, filhos, carros, créditos, lazer, etc. As despesas como a luz ou a água pode anotar mensalmente. Porém, as despesas pontuais devem ser anotadas no próprio dia, ou então logo nos dias a seguir. Porquê? Para não se esquecer. Isto é especialmente importante nas pequenas despesas como cafés, pão, jornais, almoços, etc. Se tem o hábito de pedir sempre fatura, então guarde-as consigo para depois confirmar se registou tudo.

Por fim, não se esqueça de incluir a soma de todas as despesas.

4) Faça contas

Seja qual for o método que escolheu para fazer o orçamento, deve incluir uma opção que lhe permita subtrair as despesas aos rendimentos. Só assim conseguirá controlar o que está a gastar e o que sobra. No Excel consegue facilmente automatizar esta subtração.

5) Partilhe com todos os membros da família

Se todos os membros da família têm despesas, então todos devem ajudar a gerir o orçamento. Se tem filhos, é importante incluí-los neste processo para que percebam a importância de controlar os gastos e poupar. Por isso, faça uma reunião familiar e definam um método para que tudo funcione.

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Como aproveitar da melhor forma o Orçamento Familiar?

Ter um orçamento familiar é muito mais do que anotar os rendimentos e as despesas. Para que o orçamento seja verdadeiramente útil, é necessário adotar algumas estratégias:

1) Analise as despesas e identifique quais podem ser reduzidas (ou eliminadas)

Há quanto tempo tem o mesmo comercializador ou tarifa de eletricidade ou gás? Será que não existem melhores ofertas atualmente? E o Crédito à Habitação, será que é possível negociar as condições atuais ou transferir para outro banco com melhores condições? Tem vários seguros? Então compare e perceba se está a pagar por coberturas duplicadas. Faça estas perguntas para todos os encargos mensais.

Depois, reflita se existem despesas que podem mesmo ser eliminadas. Por exemplo, tem alguma subscrição de serviço de streaming? Então reflita quantas vezes usa esse serviço por mês. Precisa mesmo de almoçar fora todos os dias ? É muito importante ter uma visão crítica e saber separar as despesas essenciais das supérfluas.

2) Se ainda não tem, crie um fundo de emergência

O fundo de emergência nada mais é do que um montante que deve estar sempre disponível caso aconteça algum imprevisto. A maioria dos especialistas em finanças pessoais recomenda guardar uma quantia equivalente a 6 a 12 meses do valor despesas mensais. Por outro lado, o valor do fundo de emergência também pode ser o equivalente a 6 ou 12 meses do valor do rendimento fixo, e não das despesas. Não existe uma regra geral. O mais importante é ter um fundo de emergência que lhe dê alguma segurança. Descubra como criar um fundo de emergência e quanto deve poupar.

3) Defina objetivos mensais de poupança

Seja exigente e estabeleça metas de poupança. Vamos imaginar que no mês de agosto as suas despesas totalizam 700€. Para o mês de setembro estipule que quer baixar esse valor para 690€, por exemplo. Estamos a falar de uma redução de apenas 10€ mas que, ao fim de vários meses, faz toda a diferença.

Mas vá mais longe do que disso. Estabeleça limites para as despesas variáveis. Tem o hábito de jantar várias vezes fora? Então defina quanto quer gastar por mês nessa despesa e respeite esse limite. Esta estratégia é importante para manter a disciplina.

4) Procure alternativas para aplicar o dinheiro

Depois de analisar tudo e reduzir as despesas, é provável que consiga colocar algum dinheiro de parte. Se isso acontecer, é importante definir o que vai fazer com esse dinheiro. Pode simplesmente deixá-lo na sua conta, criar uma conta poupança, um PPR ou qualquer outra forma de investimento. A sua decisão deve depender sempre do conhecimento que tem sobre investimentos e da sua aversão ao risco. Procure informar-se das diferentes opções e peça conselhos. Atualmente encontra muita informação online, incluindo cursos e grupos nas redes sociais. O conhecimento é a chave para fazer uma boa escolha e ter retorno.

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