Revisão do Crédito Habitação: há bancos a fazer 0.9% de spread

Escrito por Cláudia Oliveira

10.03.22

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6 min de leitura
Revisão Crédito Habitação

Durante a vigência de um contrato de crédito habitação, é direito do cliente tentar rever as condições do seu crédito, seja dentro ou fora do banco. As condições de financiamento vão-se alterando e já há bancos a oferecer 0.9% de spread.

A prestação do crédito à habitação é um encargo muito significativo que, na maioria dos casos, se prolonga por muitos anos. O que muitos clientes não sabem, é que podem e devem procurar rever o seu crédito habitação para tentar melhorar as condições acordadas inicialmente. Isso pode significar uma poupança muito significativa. Neste artigo explicamos-lhe como o pode fazer, quais os cuidados a ter e quanto pode poupar.

A revisão do Crédito Habitação vale a pena?

Em primeiro lugar, precisa de responder a uma pergunta: qual é o spread associado ao seu crédito habitação? Ora, tem-se verificado uma descida do spread abaixo de 1% e já há bancos a oferecer 0.9% de spread.. Por isso se o seu spread for significativamente superior, então significa que está na altura de rever o seu crédito habitação.

É importante que entenda que, no decorrer dos anos do crédito, é natural que existam variações nas condições de financiamento, sejam elas positivas ou negativas para o cliente. Atualmente, as taxas de juro praticadas estão mais baixas, o que é algo positivo para quem vai contrair um crédito. Mas esta vantagem também chega aos clientes que já contrataram um crédito habitação e decidem rever as condições acordadas com o banco. O cliente não é obrigado a ficar “preso” às mesmas condições ou ao mesmo banco durante décadas.

A revisão das condições do crédito habitação é ainda mais relevante para quem contraiu o crédito há bastante tempo. O mais certo é que, para contratos de crédito habitação mais antigos, o spread seja significativamente superior.

Mas os juros não são a única coisa que precisa de analisar. Ainda que tenha um spread baixo, isso não significa que não seja possível poupar noutros produtos ou serviços associados ao crédito, como é o caso do Seguro de Vida, por exemplo.

De uma forma resumida, rever e transferir o crédito habitação pode trazer-lhe estes benefícios:

  • Melhor spread;
  • Alteração da taxa em vigor (fixa, variável ou mista);
  • Garantir o melhor Seguro de Vida;
  • Alterar outras condições como o prazo de amortização e os produtos bancários (custos do Cartão de Crédito, por exemplo).

O que deve fazer antes de tomar uma decisão

Decidir rever e transferir o crédito habitação para outro banco, vai exigir que passe pelo processo inicial de quando decidiu contrair o crédito. Ou seja, vai ter que analisar algumas propostas e comparar as diferentes condições. Por isso, não tome uma decisão de um dia para o outro pois é preciso fazer algumas contas.

Existem dois indicadores que são importantes para comparar as diferentes propostas:

  1. TAEG (Taxa Anual de Encargos efetivos Globais)
  2. MTIC (Montante Total Imputado ao Consumidor)

Estes dois indicadores refletem todos os custos do crédito como juros, comissões, seguros e outros encargos associados. De uma forma resumida, a TAEG expressa todos os custos do crédito em percentagem anual (ou seja, aglomera todos os encargos associados ao crédito). Já o MTIC representa o valor global a pagar pelo empréstimo (montante total do empréstimo + todos os encargos associados).

Pode utilizar a TAEG e o MTIC para comparar as diferentes propostas de crédito à habitação, mas não fique por aqui. É preciso analisar todas as condições associadas. Por exemplo: uma determinada proposta pode ter uma TAEG baixa, mas o seguro de vida, por exemplo, não ter a melhor cobertura. Por isso, a TAEG e o MTIC só seriam 100% fiáveis em comparações de propostas de crédito 100% idênticas, o que é difícil de conseguir.

Toda a informação necessária para comparar as várias propostas está na Ficha de Informação Normalizada Europeia (FINE). Este é um documento que deve ser cedido pelos bancos quando solicita uma simulação.

Quanto se pode poupar?

Como já explicámos anteriormente, antes de tomar a decisão final de transferir o seu crédito habitação, é preciso analisar e comparar as diferentes opções do mercado. Tudo vai depender das condições atuais do seu crédito e daquelas que conseguir negociar com outros bancos. Por vezes, pode até nem compensar fazer a transferência.

Se precisar de ajuda nessa tarefa, preencha este formulário. A nossa rede de parceiros está disponível para ajudá-lo nesse processo, sem qualquer custo. Depois de preencher o formulário, os nossos parceiros entram em contacto consigo para lhe apresentarem uma proposta adaptada ao seu caso, sem qualquer compromisso. É importante que entenda que esta ajuda pode fazer toda a diferença para tomar a decisão mais vantajosa.

Mas vamos a números. Para perceber quanto é que pode poupar na prática, o melhor mesmo é apresentar-lhe um caso real. A nossa rede de parceiros foi contactada por uma família com um Crédito à Habitação com estas condições:

Detalhes do Crédito Habitação

  • Prestação: 375€/mês
  • Spread: 1,85%
  • Dívida Total: 123.000€
  • Seguro de Vida: 39,06€/mês [com a cobertura mais “fraca” – Invalidez Absoluta e Definitiva (IAD)]

Após a análise dos nossos parceiros, a transferência do Crédito à Habitação para outro banco resultou nestas novas condições:

 
BANCO ANTIGO
BANCO NOVO
Valor em dívida 123.000€ 123.000€
Spread 1,85% 1,1%
Prestação Mensal 375€ 332€
Seguro de Vida 39,06€/mês Apenas Cobertura IAD 28,92€/mês Melhor Cobertura – ITP
Poupança estimada até ao final do contrato: 17.544€ (Crédito Habitação) + 4.137,12€ (Seguro de Vida)

Com a ajuda dos nossos parceiros, esta família passou a ter um alívio na prestação mensal (redução do spread para 1,1% e nova prestação de 332€/mês). E o que significa isto em termos de poupança? Ora, isto resulta numa poupança de 43€/mês (multiplicado por 408 meses). Ou seja, vai conseguir poupar 17.544€ até o Crédito Habitação terminar.

Depois, temos também que olhar para o Seguro de Vida. No novo banco, passou a pagar ficou a pagar 28,92€/mês, traduzindo-se numa poupança base de 4.137,12€ (sem ter em conta a evolução dos prémios ao longo da idade, que faz ainda aumentar substancialmente este valor). Mas há outra alteração muito relevante: passou a ter a melhor cobertura do seguro, a ITP (Invalidez Total e Permanente). Entenda porque é que esta alteração da cobertura do Seguro de Vida é tão importante

Mas as contas não terminam aqui. Esta família também pagava encargos bancários associados: 5,50€ de mensalidade no banco, 1,15€ de custos do Cartão de Crédito (mensalidade + anuidade) e ainda 3,02€ de processamento da mensalidade. Após a transferência, essas despesas passaram para 3,50€/mês. Ou seja, uma poupança total de 2.517,36€ no final do novo contrato.

Assim, no total, a transferência do Crédito à Habitação representou uma poupança de 24.198,48€.

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Leia também: Poupe ao transferir o Seguro de Vida do Crédito Habitação

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