6 Dicas para acabar com as dívidas

Escrito por Cláudia Oliveira

22.06.22

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8 min de leitura
Acabar dívidas

Tem dívidas e pretende acabar com elas o quanto antes? Temos algumas dicas práticas que podem ajudar.

Vários portugueses enfrentam problemas na gestão do dinheiro e na acumulação de dívidas. Contrair uma dívida não é necessariamente um problema. O problema surge quando contrai uma dívida sem ter a certeza que a consegue suportar e, no pior dos cenários, quando acumula várias dívidas ao mesmo tempo. É aí que os problemas começam a surgir e a sua situação financeira pode ficar mais débil, correndo o risco de entrar em incumprimento com os pagamentos. Se tem dívidas e sente que está em risco de sobre-endividamento ou simplesmente quer livrar-se delas o mais rápido possível, então siga as dicas a seguir.

Como acabar com as dívidas?

1) ASSUMA O PROBLEMA E ANALISE A SITUAÇÃO

Se chegou até aqui é porque já entendeu que alguma coisa não está a correr bem com as suas finanças. Por isso, aproveite essa consciência do problema para assumir o compromisso de fazer o necessário para acabar com as dívidas. Logicamente que isso vai exigir um esforço financeiro acrescido, que terá impacto no seu dia a dia.

Depois de entender a importância desse compromisso, analise com cuidado a situação atual:

  • Quais são as dívidas?
  • Que tipo de dívidas são? Crédito automóvel? Cartão de crédito? Dívidas por falha de pagamento de serviços?
  • Qual é o valor que falta pagar (capital em dívida)?
  • Qual é o prazo de pagamento?
  • Qual o impacto do “tempo” na dívida? Vai pagar mais juros? Os serviços vão ser suspendidos?

Crie uma lista com todos os detalhes das dívidas para perceber exatamente o que falta pagar. Aponte também os detalhes como a taxa de juro aplicada nos créditos, por exemplo. Um excel pode ajudar nessa tarefa, embora seja possível fazê-lo num caderno.

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2) DEFINA UMA ESTRATÉGIA DE PAGAMENTO

Depois de elaborar a lista de dívidas, importa perceber quais são as dívidas a pagar primeiro. Aqui vai depender muito do tipo de dívida. Vamos imaginar que tem uma dívida ao fornecedor de água ou luz. Neste caso, é importante pagar esta dívida o quanto antes para evitar a suspensão do serviço. Estas pequenas dívidas são as mais fáceis de resolver. Pode começar por aqui.

Se as dívidas que tem são na maioria créditos, então é preciso olhar para os juros e perceber o impacto a longo prazo. Por exemplo: pode ter um crédito habitação e ir pagando as prestações acordadas, cumprindo o prazo definido. Mas também pode decidir encurtar esse prazo, liquidar a dívida antes do tempo e assim pagar menos juros. Esta é uma decisão que tem que tomar para conseguir definir objetivos de pagamento.

Segundo as recomendações da Cat Poupança, o indicado é atacar a dívida mais pequena para ganhar motivação e fluxo de caixa. Para entender melhor esta estratégia, deixamos a seguir o exemplo disponibilizado no blog Cat Poupança:

Imagina que tens uma dívida no cartão de crédito de € 570,00, um crédito pessoal de € 3.200,00 e uma dívida de um crédito automóvel de € 7.5000,00. Cada uma destas dívidas tem uma prestação mensal associada, correto?

O que eu quero que faças é que comeces, em paralelo, a poupar dinheiro para pagares antes do tempo a dívida mais pequena que tens. No exemplo que dei, o cartão de crédito.

Como expliquei acima, se te esforçares por pagar a dívida antes do tempo, vais pagar menos dinheiro do que aquele que irias pagar se levasses a dívida até ao fim. Como? Porque a partir do momento em que liquidas o capital que está em dívida, a dívida acaba e deixas de pagar os juros!

[…]

Quando tiveres na tua poupança o dinheiro suficiente para liquidar a tua dívida mais pequena, contacta a instituição financeira, e liquida-a por completo. Ao fazeres isto, livras-te de uma dívida, da sua prestação mensal e ficas com mais folga no teu orçamento.

E o que fazer com o dinheiro que já não vais usar para pagar a prestação da dívida mais pequena que tinhas? Poupá-lo, em paralelo, para liquidar a tua outra dívida, juntamente com outras poupanças que vás conseguindo fazer.

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Leia também: Com dificuldades em cumprir o contrato de crédito? A RACE pode ajudar

3) ORGANIZE O SEU ORÇAMENTO

Sabe quanto dinheiro entra e quanto lhe sobra no final do mês? Sabe exatamente quais são as suas despesas mensais? A organização é fundamental para saber exatamente para onde o dinheiro vai e quanto sobra. Por isso, se ainda não tem um orçamento familiar, então está na hora de criar um. Neste caso é aconselhável usar um Excel para facilitar esta tarefa.

No nosso artigo “Como fazer e gerir bem um Orçamento Familiar” encontra um passo a passo de como criar e gerir um orçamento. 

E porque é que este orçamento é tão importante para acabar com as dívidas? Para acabar com as dívidas vai precisar de ter alguma liquidez adicional. Essa liquidez vai depender de alguns esforços, incluindo a redução de algumas despesas mensais. Ao saber exatamente onde está a gastar o seu dinheiro, consegue mais facilmente identificar oportunidades para poupar algum dinheiro.

4) DEFINA OBJETIVOS CONCRETOS

Para conseguir assumir o compromisso de acabar com as dívidas vai precisar de criar alguma pressão sobre si mesmo. Esta dica é recomendada por vários especialistas em finanças pessoais. Sem objetivos concretos torna-se mais complicado cumprir com o objetivo principal – acabar com as dívidas. Por isso, e tendo a lista das dívidas e a estratégia de pagamento definida, pode agora traçar objetivos de pagamento.

Vamos imaginar que tem uma dívida do cartão de crédito. Neste caso, os objetivos poderiam ser:

  • Data para acabar com a dívida;
  • Valor semanal/mensal a colocar de lado para liquidar a dívida nesse prazo.

Os objetivos vão depender da dívida em questão. Se for uma dívida como o cartão de crédito, é mais fácil definir um prazo concreto tendo em conta o valor da dívida. Numa dívida como o crédito habitação, o ideal é definir metas pontuais para ir amortizando e assim reduzir o prazo ou a prestação, conforme lhe for mais conveniente. O importante aqui é ter objetivos para conseguir saber se está num bom caminho e ter motivação para continuar.

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5) CORTE E/OU REDUZA AS DESPESAS

Se leu este título e pensou logo que não tem por onde cortar ou reduzir, pense novamente no assunto com mais atenção e lembre-se do compromisso que assumiu na dica número um. Há sempre formas de reduzir ou até acabar com algumas despesas.

Comece pelas despesas essenciais como a água ou luz. Consegue melhorar os hábitos de consumo? Há quanto tempo não procura por ofertas mais vantajosas? O mercado está sempre a mudar e neste momento pode conseguir tarifas melhores. Tenha uma atitude proativa e procure sempre por melhores ofertas.

Nas despesas não essenciais é ainda mais fácil cortar, basta querer. Hábitos como levar o almoço para o trabalho, fazer a lista do supermercado para evitar comprar o que não precisa, partilhar boleias…são tudo dicas que podem ter um impacto significativo no final do mês.

Evite também as idas ao shopping quando não precisa. Se for, use a regra dos 10 segundos. Imagine que viu uma peça de roupa que gostou. Se em 10 segundos não conseguir responder porque precisa dela, então não compre. É uma regra muito simples, mas muito eficaz.

Faça download do nosso eBook gratuito com 110 Dicas de Poupança para conhecer mais dicas de poupança (inclui um Excel para controlo de gastos)

 

6) TENTE RENEGOCIAR OU TRANSFERIR OS CRÉDITOS

Assumir um crédito não significa que tem que aceitar as condições iniciais durante todo o prazo de pagamento. Pode e deve tentar renegociar as condições do crédito com o banco e procurar, por exemplo, baixar o spread. Isso vai permitir um alívio na prestação mensal.

Se o banco não apresentar uma solução vantajosa, pode e deve ponderar transferir o crédito para outro banco com melhores condições. No nosso artigo “Transferir o Crédito à Habitação: quanto é que se poupa?” exemplificamos quanto é que é possível poupar com a transferência.

Tal como já referimos anteriormente, ter uma atitude proativa pode fazer toda a diferença. Por isso mexa-se e informe-se do que pode fazer. Se precisar de apoio, peça ajuda a um intermediário de crédito.

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Leia também: Como reduzir as prestações dos créditos: conheça 6 opções

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