Certificados de Aforro Série F em 2026: Taxas de juro, regras e novidades

Cláudia Oliveira
2026-04-28
8 minutos
1 Comentário
Certificados de Aforro Série F em 2026

Os Certificados de Aforro continuam a ser uma das formas de poupança mais escolhidas pelos portugueses. Em 2026 há novidades importantes.

O limite máximo de subscrição subiu, a taxa de juro está a aumentar e há alertas que qualquer titular deve ter em conta. Se ainda não investiu, ou se já tem Certificados de Aforro e quer perceber o que mudou, este artigo reúne as principais regras e novidades que deve conhecer.

O que são os Certificados de Aforro?

Os Certificados de Aforro são um instrumento de poupança emitido pelo Estado português e gerido pelo IGCP (Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública). Em termos simples, ao subscrever Certificados de Aforro, está a emprestar dinheiro ao Estado, que lhe paga juros em troca.

Para investidos mais conservadores, os certificados podem se uma boa opção porque:

  • Capital garantido: o Estado garante a devolução do valor investido;
  • Risco praticamente nulo: são considerados um dos investimentos mais seguros disponíveis em Portugal;
  • Acessíveis a todos: o montante mínimo de entrada é reduzido, tornando-os uma opção para qualquer pessoa.

Atualmente está disponível para novas subscrições a Série F dos certificados.

Características da Série F

Característica Detalhe
Prazo 15 anos a partir da data de subscrição
Mínimo de subscrição 10 €, com um investimento inicial de 100€ por Conta Aforro
Máximo de subscrição 250.000€ por Conta Aforro (ver nota abaixo)
Capitalização dos juros Automática de 3 em 3 meses
Capital garantido Sim
Prazo mínimo de permanência 3 meses
Levantamento antecipado Possível ao fim dos primeiros 3 meses
Encargos com subscrição, manutenção ou levantamento Sem encargos
Titularidade Apenas particulares; não são transmissíveis (exceto por herança)

⚠️ Nota sobre o limite máximo: Em abril de 2026, o Governo publicou o Despacho 5392/2026, de 24 de abril que aumentou o limite de subscrição da Série F de 100.000€ para 250.000€ por Conta Aforro, com efeitos a partir de 21 de abril de 2026. O limite acumulado com a Série E passou igualmente de 350.000€ para 500.000€.

Como funciona a taxa de juro?

A remuneração dos Certificados de Aforro Série F é composta por dois elementos: a taxa base e os prémios de permanência.

1) Taxa Base

A taxa base é indexada à Euribor a 3 meses, com dois limites:

  • Mínimo: 0% (a taxa nunca pode ser negativa)
  • Máximo: 2,5% (mesmo que a Euribor suba acima deste valor, a taxa base fica limitada a 2,5%)

O IGCP calcula e publica a taxa mensalmente, no antepenúltimo dia útil de cada mês, para vigorar no mês seguinte. O cálculo baseia-se na média aritmética da Euribor a 3 meses nos dez dias úteis anteriores.

2) Prémios de Permanência

A partir do segundo ano da subscrição, são acrescidos prémios de permanência automáticos. Ou seja, trata-se de um benefício adicional para quem que mantém o investimento ao longo do tempo:

Anos completos de permanência Prémio adicional (ao ano)
2.º ao 5.º ano + 0,25%
6.º ao 9.º ano + 0,50%
10.º e 11.º ano + 1,00%
12.º e 13.º ano + 1,50%
14.º e 15.º ano + 1,75%

Os prémios de permanência são acumulados à taxa base. A taxa base tem um limite máximo de 2,5%, mas os prémios de permanência não têm esse limite: são somados à taxa base após o cálculo, o que significa que a remuneração total pode ultrapassar os 2,5%.

Os juros são capitalizados trimestralmente. Assim, no final de cada trimestre, os juros são somados à poupança para que esta renda mais no trimestre seguinte.

A taxa de juro em 2026 está a subir!

Depois de vários meses de descida, a taxa dos Certificados de Aforro está a aumentar em 2026, acompanhando a Euribor a 3 meses:

  • Abril de 2026: 2,138%
  • Maio de 2026: 2,195%, o valor mais alto registado em um ano e a segunda subida consecutiva de 2026

⚠️ A taxa base é atualizada mensalmente. Confirme sempre o valor atualizado no portal do IGCP antes de tomar qualquer decisão de investimento.

Como subscrever os Certificados de Aforro?

A subscrição pode ser feita online ou presencialmente, de forma simples e gratuita. Consulte o passo a passo em Certificados de Aforro: Como subscrever?“.

Já tem Certificados de Aforro? Dois alertas importantes

1) Conversão dos certificados antigos para o formato digital

Desde 2024 que o IGCP exige que todos os Certificados de Aforro em papel sejam convertidos para o formato digital. Se ainda tem certificados físicos, deve fazê-lo antes de perder acesso à sua conta ou de ter dificuldades no resgate.

👉  Saiba como fazer a conversão para o digital em “Conversão dos Certificados de Aforro para o Digital: Prazos, procedimentos e cuidados a ter“.

2) Atualização obrigatória de dados pessoais

Em 2025 o IGCP começou a contactar todos os aforristas para atualização dos seus dados pessoais (morada, IBAN, profissão, contactos), ao abrigo da Lei n.º 83/2017, de combate ao branqueamento de capitais. Esta campanha decorre até junho de 2026 e a atualização dos dados não pode ser feita online.

👉 Saiba como fazer a atualização dos dados pessoais em Certificados de Aforro — Já atualizou os seus dados pessoais?“.

Vale a pena subscrever os Certificados de Aforro em 2026?

Os Certificados de Aforro Série F são especialmente adequados a quem tem com perfil mais conservador e que valoriza a segurança do capital acima do rendimento. Com a taxa a aumentar para os 2,195% em maio de 2026, e tendo em conta que os prémios de permanência aumentam ao longo do tempo, quem investe agora com horizonte de médio-longo prazo pode beneficiar de uma remuneração significativa. Não são, no entanto, o produto mais rentável disponível no mercado. Em todo o caso, pode ser um bom ponto de partida para quem simplesmente tem o seu dinheiro “parado” e tem medo de investir com mais risco.

Se lhe restar qualquer dúvida, aconselhamos que consulte:

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O conteúdo apresentado não substitui a necessidade de consultar entidades especializadas no assunto.

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Um comentário sobre “Certificados de Aforro Série F em 2026: Taxas de juro, regras e novidades

  1. Boa noite,
    Fiquei com uma questão.
    O valor máximo mudou de 250 000€ para 50 000€. Mas isto só referente à série F ou para trás?
    Por exemplo:
    Série E: subscritos 30 000
    O máximo que posso por na F são 20 000 ou 50 000?

    Obrigada

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