Como fazer e gerir bem um Orçamento Familiar

Cláudia Oliveira
2025-07-02
13 minutos
1 Comentário
Orçamento Familiar

Ter um orçamento familiar é essencial para a “saúde” das suas finanças. Para além de lhe permitir controlar onde gasta o dinheiro, também permite planear o futuro com maior segurança.

Não é novidade que o orçamento familiar é uma peça chave na gestão financeira das famílias. Se fizer uma breve pesquisa por dicas de organização financeira, certamente que encontrará o orçamento familiar como um dos principais conselhos. Ainda são muitas as famílias que vivem na base da “suposição” sobre o que têm e/ou gastam. O orçamento permite transformar essas suposições em dados concretos, o que faz toda a diferença no controlo mensal, mas também para saber os passos que pode dar.

Por isso, se ainda não fez o seu orçamento familiar ou se considera que não o está a gerir da melhor forma, siga as dicas que deixamos neste artigo.

Orçamento Familiar – Qual a utilidade?

A melhor utilidade do orçamento familiar é proporcionar clareza e controlo sobre o dinheiro. E isto é possível porque permite:

  • Registar o rendimento disponível. Ou seja, controlar o dinheiro que entra;
  • Registar todas as despesas e saber exatamente onde está a ser gasto o dinheiro. Ou seja, controlar o dinheiro que sai;
  • Identificar possibilidades de poupança, investimento e planear a criação de um fundo de emergência (se ainda não existir);
  • Tomar decisões informadas e ponderadas. Com uma visão 360º do dinheiro consegue mais facilmente perceber a margem financeira que tem para dar assumir um encargo financeiro mais elevado. Por exemplo: comprar um casa, adquirir um veículo ou até ir de férias;
  • Evitar o sobre-endividamento. Quando sabe o que pode gastar, reduz o risco de entrar em incumprimento com as suas obrigações mensais.

Para além destas utilidades práticas, o orçamento familiar também lhe permite viver com um maior sentimento de segurança e confiança, o que é algo muito importante para a sua vida pessoal e familiar. Ainda são muitas as famílias que não têm qualquer controlo sobre o que entra (rendimentos) e o que sai (despesas), o que acaba por criar situações de grande stress familiar.

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Leia também: Não consegue poupar? Estas 5 fórmulas podem ajudar!

Como fazer um bom Orçamento Familiar?

O orçamento familiar pode ser mais ou menos aprofundado consoante a vida familiar e os objetivos. Contudo, mais importante do que ter um modelo de orçamento perfeito, é começar. Para além disso, orçamento familiar deve ser assumido como uma tarefa que exige adaptação e melhorias ao longo do tempo pois a vida familiar e financeira também se vai alterando.

Para começar e manter um bom orçamento familiar, independentemente da estrutura, deve seguir estas dicas:

1) Escolha onde fazer o orçamento

Antes de começar o orçamento familiar precisa de decidir como e onde o vai fazer. O Excel é sem dúvida uma das ferramentas mais utilizadas para esse efeito. Para além de ser fácil de utilizar, é totalmente personalizável. No nosso eBook gratuito com 110 Dicas de Poupança encontra um modelo de Excel de controlo de gastos pessoais, que pode adaptar e utilizar para fazer um orçamento familiar.

Também já existem várias aplicações móveis de gestão de finanças pessoais que podem ser uma boa ajuda, especialmente para registar as despesas. O importante é escolher o método mais prático para si e não necessariamente mais tecnológico.

2) Registe todos os rendimentos

O segundo passo é anotar os rendimentos de todos os membros da família. O ideal será dividir o rendimento desta forma:

  • Rendimento fixo: inclui-se aqui os valores garantidos e que não oscilam, como é o caso dos salários, reformas ou rendas;
  • Rendimento variável: refere-se a outras fontes de rendimento que podem oscilar, como é o caso dos investimentos, trabalhos extra ou vendas.

Importa referir que, no caso do salário, deve anotar sempre o valor líquido (aquele que de facto recebe na sua conta no final do mês).

3) Identifique e agrupe todas as despesas

O terceiro passo, e o mais demorado, é anotar todas as despesas. Tal como nos rendimentos, também aconselhamos que agrupe as despesas por fixas e variáveis:

  • Despesas fixas: rendas, prestações de créditos, seguros, propinas, mensalidade do ginásio, subscrições, entre outras;
  • Despesas variáveis: bens alimentares, combustível, luz, água, roupa, entre outras.

Esta tarefa pode ser um pouco mais demorada, mas é essencial. Perca algum tempo a pensar em todos os gastos e organiza por categorias, como por exemplo: habitação, supermercado, carro, filhos, lazer, etc. As despesas mensais são naturalmente mais fáceis de anotar. Relativamente às outras despesas como refeições fora de casa e outros gastos pontuais, uma boa ajuda é guardar as faturas. Assim, quando parar para anotar no orçamento, será mais fácil não se esquecer de nada. Em alternativa, se fizer pagamentos com cartão de multibanco, pode posteriormente consultar os movimentos registados nesse mês.

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Consulte o artigo “Orçamento Familiar: a importância de registar as despesas familiares“.

4) Automatize as contas

Seja qual for o método que escolheu para fazer o orçamento, deve incluir uma funcionalidade que permita calcular automaticamente o total de despesas e de rendimentos, bem como o saldo líquido (rendimentos menos despesas). Por exemplo, no Excel consegue facilmente automatizar este cálculo através de algumas fórmulas.

5) Trabalhe com conjunto

Se todos os membros da família têm despesas, então todos devem ajudar a gerir o orçamento. O ideal é escolher uma pessoa responsável pelo orçamento, mas sempre com a ajuda dos membros da família. Esta inclusão permite que todos, incluindo os filhos, conheçam a situação financeira da família. Por isso, faça uma reunião familiar e definam um método para que tudo funcione.

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Leia também: Quer poupar na fatura da água? Siga estas 9 dicas!

Como aproveitar da melhor forma o Orçamento Familiar?

Ter um orçamento familiar é muito mais do que anotar os rendimentos e as despesas. Para que o orçamento seja verdadeiramente útil, é necessário adotar algumas estratégias:

1) Analise as despesas e identifique quais podem ser reduzidas (ou eliminadas)

Há quanto tempo tem o mesmo comercializador ou tarifa de eletricidade ou gás? Será que não existem melhores ofertas atualmente? E o crédito habitação, será que é possível negociar as condições atuais ou transferir para outro banco com melhores condições? Tem vários seguros? Então compare e perceba se está a pagar por coberturas duplicadas. Faça estas perguntas para todos os encargos mensais.

2) Se ainda não tem, crie um Fundo de Emergência

O Fundo de Emergência nada mais é do que um montante que deve estar sempre disponível caso aconteça algum imprevisto. A maioria dos especialistas em finanças pessoais recomenda guardar uma quantia equivalente a 6 a 12 meses do valor despesas mensais. Por outro lado, o valor do fundo  também pode ser o equivalente a 6 ou 12 meses do valor do rendimento fixo, e não das despesas. Não existe uma regra geral. O mais importante é ter um fundo de emergência que lhe dê alguma segurança. Descubra como criar um fundo de emergência e quanto deve poupar.

3) Defina objetivos mensais de poupança

Se não tem muita folga financeira, é importante ser mais exigente e estabelecer algumas metas de poupança. Não se agarre a ideia de que não é possível “cortar” em mais nada. Há sempre um gasto ou outro que pode ser ajustado. Ao estabelecer objetivos concretos, consegue mais facilmente manter a disciplina.

4) Procure alternativas para aplicar o dinheiro

Se há folga financeira, então pode e deve ponderar sobre o que fazer com o dinheiro disponível. Pode simplesmente deixá-lo na sua conta ou então aproveitar para amortizar algum crédito, criar uma conta poupança, um PPR ou qualquer outra forma de investimento. A  decisão deve depender sempre do conhecimento que tem sobre investimentos e da sua aversão ao risco. Procure informar-se das diferentes opções e peça conselhos. Atualmente encontra muita informação online, incluindo cursos e grupos nas redes sociais. O conhecimento é a chave para fazer uma boa escolha e ter retorno.

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Leia também: Começar a investir – Os conselhos da CMVM

Orçamento Familiar – O mais importante é dar o primeiro passo!

Não espere pela fórmula perfeita, pela app ideal ou pelo momento certo. Um orçamento familiar não precisa de ser complexo para ser útil — até o mais simples, feito num caderno ou numa folha de Excel, pode fazer toda a diferença. O essencial é começar. Durante um mês, desafie-se a registar rendimentos e despesas, ainda que de forma básica. No final, poderá avaliar por si mesmo a utilidade deste hábito. Lembre-se: pior do que um orçamento incompleto é não ter nenhum!

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O conteúdo apresentado não substitui a necessidade de consultar entidades especializadas no assunto.

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Um comentário sobre “Como fazer e gerir bem um Orçamento Familiar

  1. Boa tarde,

    Nós somos o João e Sara Jesus. A nossa familía ampliou de 2 filhos para 4 filhos com um casal de filhotes, o que nos levou a sair de Viseu, ir morar para Seia, portanto mudança de casa, mudança de carro e estamos a finalizar obras em casa. À partida teremos 4 mil euros para colocar já num fundo de emergência, mas com 6 pessoas em casa, entendemos que o montante do fundo deve rondar os 10 mil euros. Já colocamos de parte dinheiro para carregar o nosso PPR no valor de 2000 euros para ir buscar a bonuficação do irs, que está em nome da Sara uma vez que ela é mais nova, temos temos um excel de gestão de finanças familiar, mas só desde o início do ano, que tem tido muitas despesas variáveis devido a estas mudanças, mas o que nós gostavamos de saber é qual o instrumento que devemos usar para colocar o nosso fundo de emergência a render, garantindo claro a regra de ouro que é poder mobilizá-lo a qualquer momento sei haver nenhuma penalização. Outra questão é que contas pessoas existem sempre muitas variáveis o que torna difícil a definição de objetivos de poupança e de investimento.

    Algumas dicas?

    Obrigado.

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