Quer pedir um crédito habitação mas não sabe se está financeiramente preparado? Faça contas a todos os encargos antes de avançar.
Comprar casa e pedir um crédito habitação é, para a maioria das pessoas, a maior decisão financeira da vida. Mas antes de começar a visitar imóveis ou de marcar uma reunião no banco, há uma pergunta que deve fazer a si mesmo: tenho dinheiro suficiente para avançar?
A resposta não é simples e depende de cada caso. Contudo, há conceitos e exigências que todos devem conhecer antes de dar este passo. Neste artigo, explicamos o que precisa de saber antes de avançar para evitar desilusões a meio do caminho.
O Banco não paga tudo!
Salvo em casos específicos, o banco não financia a 100% a compra de uma casa. O Banco de Portugal estabelece um limite ao chamado LTV (Loan-to-Value), que é, em linguagem simples, a proporção entre o valor que o banco empresta e o valor do imóvel. Para habitação própria e permanente, esse limite é de até 90%. Ou seja, o banco pode emprestar no máximo 90% do valor, o que significa que o restante tem de ser capital próprio.
Além disso, esse limite é um máximo legal, não significa que será o que o banco irá aplicar no seu caso. Cada banco pode decidir financiar menos, consoante o seu perfil financeiro.
Os encargos que precisa de considerar antes da “Chave na Mão”
Para além do valor de entrada, há outros custos obrigatórios que tem de pagar antes ou no momento da escritura, independentemente do banco.
Os principais são:
- Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT): pago uma única vez antes da venda da casa. O valor varia consoante o preço do imóvel, a sua localização e se é destinado a habitação própria e permanente ou secundária;
- Imposto do Selo: pago no momento da escritura e pode ser aplicado em duas situações:
- Sobre a compra: aplica-se uma taxa sobre o valor da escritura ou do VPT – Valor Patrimonial Tributário (o maior);
- Sobre o crédito habitação: também obrigatório, calculado sobre o montante do empréstimo;
- Registo da hipoteca e escritura: custos notariais e de registo predial, que variam consoante a entidade escolhida;
- Avaliação do imóvel: o banco exige uma avaliação independente antes de aprovar o crédito, e esse custo é normalmente suportado pelo comprador;
- Comissão de abertura de processo: obrada por alguns bancos no início do processo de crédito.
E se for um jovem até aos 35 anos?
Se tem entre 18 e 35 anos (inclusive) e quer comprar a sua primeira habitação própria permanente, pode ter acesso a algumas condições especiais:
- Garantia Pública: o Estado funciona como um fiador e permite aos jovens acederem ao crédito mesmo quando não têm capital inicial para a entrada;
- Isenção de emolumentos: isenções e reduções de emolumentos devidos pelo registo da primeira aquisição e pelo registo da hipoteca;
- Isenção do IMT e do IS
Nota importante: até nova decisão do Governo, a garantia pública apenas estará em vigor até ao final de 2026.
Mas calma, os custos não terminam na escritura!
Depois de assinar o contrato, há despesas regulares que passam a fazer parte do orçamento mensal. Além da prestação ao banco, deve considerar:
- Seguro de Vida
- Seguro Multirriscos
- Condomínio (se o imóvel for num prédio)
- Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI)
É importante considerar estes custos antes de decidir o valor da prestação do crédito habitação que consegue suportar. São custos significativos que pesam no orçamento familiar.
Ainda não está preparado financeiramente? Comece por estes dicas!
Se chegou a conclusão de que ainda não tem poupanças suficientes, há alguns passos concretos que pode começar a dar já:
- Avalie o seu histórico de crédito: Verifique se tem prestações em atraso ou créditos em aberto que possam pesar na decisão do banco. Consulte essas informações no Mapa de Responsabilidades de Crédito;
- Calcule a sua taxa de esforço: essencial para perceber a relação entre os encargos mensais e o seu rendimento disponível. Esse cálculo também é feito pelos bancos. Utilize a Calculadora de Taxa de Esforço gratuita;
- Comece a poupar de forma disciplinada: se ainda não tem capital inicial disponível, então está na altura de definir uma estratégia para conseguir juntar esse valor;
- Procure o crédito antes de procurar a casa: obter uma pré-aprovação do crédito antes de começar a visitar imóveis dá-lhe uma noção realista do valor do imóvel que pode suportar;
- Faça o nosso Curso Gratuito de Crédito Habitação: perceber como funcionam todas as estapadas do pedido de crédito habitação é essencial para conseguir uma proposta vantajosa e aumentar a probabilidade do crédito ser aprovado.
- Faça várias simulações: muitos bancos e plataformas permitem fazer simulações de crédito habitação de forma gratuita e sem vinculação.
Peça já a uma simulação gratuita, personalizada e sem compromisso e descubra qual a melhor solução de crédito habitação para o seu caso.
Ter ajuda pode fazer a diferença!
A preparação, o pedido e a aprovação do crédito habitação são etapas que podem levantar muitas dúvidas. É aqui que a ajuda de um intermediário de crédito pode fazer toda a diferença.
Um intermediário analisa o seu caso, compara as propostas de diferentes bancos e acompanha todo o processo, sem a necessidade de andar a “bater à porta” de cada banco. Na maioria dos casos, este serviço é gratuito para o cliente. Para além disso, os intermediários têm maior poder negocial junto dos bancos, o que pode fazer toda a diferença na aprovação e nas condições do crédito. Na dúvida, peça ajuda!
Por fim, não deixe de assistir ao último episódio do podcast dos 3 Consultores:
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