Com as previsões da nova subida da Euribor, importa começar já a acautelar o impacto na prestação do crédito habitação.
A instabilidade geopolítica no Médio Oriente tem pressionado os preços da energia e a subida da inflação. Por consequência, é cada vez mais expectável que as taxas de juro acompanhem esse agravamento e as prestações da casa aumentem. Para quem tem crédito habitação com taxa variável, esse é um cenário que cria alguma ansiedade Por essa razão, é importante começar já a preparar o seu orçamento familiar e adotar algumas medidas. Neste artigo explicamos-lhe algumas opções que podem ajudar a atenuar o impacto da subida da prestação da casa.
O que está a acontecer à Euribor em 2026?
Depois de um ciclo de subidas acentuadas em 2022 e 2023 e de descidas graduais em 2024, a Euribor acabou por estabilizar. Contudo, estabilizou em valores ainda historicamente elevados, comparativamente ao que as famílias pagavam antes de 2022.
O Banco Central Europeu (BCE) manteve as taxas inalteradas em março de 2026, mas alertou que a subida dos preços da energia provocada pelo conflito no Médio oriente pode agravar a inflação e tornar mais difícil manter as taxas de juro. Os mercados chegaram a antecipar duas subidas de 25 pontos base ainda em 2026.
Apesar desta incerteza e de ainda não se saber quando acontecerá esse aumento, quem tem crédito habitação com taxa variável deve agir de forma proativa. Claro que o impacto na prestação acontecerá com mais ou menos antecedência consoante o prazo do indexante e a data da revisão.
7 formas de reduzir o impacto do aumento da Euribor na prestação do Crédito Habitação
1) Renegocie as condições com o seu banco atual
A primeira e mais acessível solução é falar diretamente com o banco onde tem o crédito. Peça uma revisão do spread, sobretudo se o seu contrato tem mais de 3 anos. As condições de mercado vão mudando e pode conseguir condições mais favoráveis sem mudar de banco. Questione também os produtos associados obrigatórios (seguros, cartões, domiciliações de ordenado): se estiver a pagar por produtos que não usa, pode renegociar ou eliminar esses encargos. Esta renegociação pode resultar num alívio imediato na prestação mensal.
⚠️ Em situações de dificuldade financeira, os bancos são obrigados por lei a analisar os pedidos de renegociação. O PARI e o PERSI são os dois instrumentos de proteção do cliente em situações em que há dificuldades em cumprir com o pagamento dos créditos.
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Leia também: Crédito Habitação: Dicas para renegociar as condições com o banco
2) Pondere transferir o crédito habitação para outro banco
Se o seu banco não apresentar condições competitivas, a transferência para outra instituição pode garantir-lhe uma poupança significativa. Contudo, é sempre preciso analisar e comparar propostas.
Não olhe apenas para a prestação mensal e compare sempre a TAEG (Taxa Anual de Encargos Efetiva Global) e o MTIC (Montante Total Imputado ao Consumidor), que incluem todos os custos associados. Verifique também eventuais comissões de transferência e penalizações no banco atual antes de avançar.
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Leia também: Transferir o Crédito Habitação para outro banco: Quais os cuidados a ter?
3) Amortize antecipadamente
Se tem folga financeira e algum capital disponível, pode sempre amortizar antecipadamente o crédito habitação. A baixar o capital em dívida, paga menos juros, independentemente do valor da Euribor.
Com a amortização pode optar por reduzir a prestação mensal (alívio imediato no orçamento) ou reduzir o prazo total (paga menos juros no total).
⚠️ A isenção das comissões de amortização antecipada para créditos de taxa variável terminou em 2025. Por isso, desde janeiro de 2026 que voltaram a estar em vigor as habituais comissões pela amortização antecipada. Considere este custo antes de avançar.
4) Mude para taxa fixa ou mista
Num contexto de Euribor volátil e incerteza sobre o rumo das taxas, mudar para taxa fixa ou mista pode dar previsibilidade à sua prestação. Não é possível afirmar que seja a opção vantajosa pois não há certezas sobre o que irá acontecer à Euribor. Contudo, para muitas pessoas, fixar a taxa e evitar as oscilações pode garantir alguma tranquilidade.
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Consulte também: Taxas Euribor 1M, 3M, 6M, 12M (sempre atualizadas)
5) Aumente o prazo do crédito (como alívio temporário)
Alargar o prazo do crédito reduz a prestação mensal, o que garante um alívio imediato para quem precisa de uma solução rápida. Contudo, esta solução tem consequências: mais tempo a pagar o crédito também significa mais tempo a pagar juros. Ou seja, implica pagar mais juros no total e também uma exposição mais alargada às variações da Euribor. Esta opção deve ser encarada como uma medida de alívio temporário.
Deve também saber que pode não reunir as condições para que o banco aprove este aumento do prazo. Se decidir avançar, fale com o seu banco e analise sempre o impacto na prestação mensal e no custo do crédito.
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Leia também: Com dificuldades em cumprir o contrato de crédito? A RACE pode ajudar
6) Avalie se compensa transferir apenas o seguro de vida
Sabia que pode transferir apenas o seguro de vida? Se subscreveu um seguro sugerido pelo banco onde tem o crédito, é provável que tenham aplicada uma bonificação do spread. Ainda assim, isso não significa que compense manter o seguro onde está. Tem o direito de contratar o seguro de vida noutra seguradora, desde que as coberturas sejam equivalentes às exigidas pelo banco. Vale a pena pedir uma simulação com coberturas equivalentes e comparar o custo total (prestação + prémio do seguro) antes e depois. Em muitos casos, esta simples análise revela poupanças imediatas.
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Leia também: Como poupar ao transferir o Seguro de Vida do Crédito Habitação?
7) Reorganize o orçamento e crie uma almofada financeira
Nenhuma das soluções anteriores resulta se o orçamento familiar estiver desequilibrado. A incerteza do que vem por aí não é desculpa para não começar já a agir, especialmente se já está numa situação financeira débil.
Algumas medidas práticas que pode aplicar já hoje:
- Se ainda não tem, crie um Fundo de Emergência, ou seja, uma reserva equivalente a pelo menos 3 a 6 meses o valor das despesas mensais;
- Renegocie outros contratos: seguros, telecomunicações, subscrições…
- Priorize a liquidação de créditos com taxas mais elevadas;
- Acompanhe com atenção a sua situação financeira. Ter um orçamento familiar torna esta tarefa mais simples. Desta forma consegue controlar onde gasta o dinheiro e planear o futuro com maior segurança.
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O conteúdo apresentado não substitui a necessidade de consultar entidades especializadas no assunto.
Vendi o meu apartamento recentmente e adquiri um novo que ainda se encontram em construção e para o qual só vou morar no primeiro trimestre do ano que vem.
Com esta subida das taxas, só tenho medo que quando chegar à altura de contratar um novo crédito, não me dem condisções aceitáveis…
Para já o banco onde tenho o meu crédito actual até me garante o novo empréstimo, mas daqui até poder fazer a escritura do novo imóvel “muita água vai passar por baixao da ponte”…
Acho que não podir ter escolhido pior altura para mudar de casa 🙁
A banca para já ainda tem liquidez, não me parece que haja problemas durante pelo menos o ano de 2022.